Durma bem!

Durma bem!

A falta de sono afeta-nos mais depressa do que a falta de alimento. A privação do sono pode causar diabetes, ataques cardíacos, obesidade, depressão.

Precisamos em média 8 horas de sono por dia. O nosso organismo precisa de três horas de sono superficial, três horas de sono profundo e duas horas de sono com sonhos. O sono profundo revitaliza o corpo e sonhar recarrega a mente. Mas as pressões da vida moderna, dormimos menos cerca de 90min por noite do que os nossos antepassados dormiam há apenas 100 anos. Um em cada três de nós, sofre de privação de sono e tem uma divida de sono, uma divida que tem de ser paga, ou pagaremos o preço.

O efeito mais marcante que se vê logo no início é o abrandamento cognitivo. Simplesmente não se consegue pensar de forma tão rápida e precisa como é habitual. Outro efeito dramático é atenção. Ocorre dificuldade em manter-nos atentos e perdemos informações essenciais.

Após cerca de 16 horas acordados, começamos a ter dificuldades muito semelhantes às de uma pessoa com 0,8g/l de álcool no sangue. As pessoas cometem 10 vezes mais erros, quando estão cansadas.

Quando ocorre a privação do sono, pode ocorrer o fenómeno de microssono que é quando o cérebro dorme sem que a pessoa tome consciência de que esteve a dormir, acontece em frações de segundos mas é o suficiente para provocar inúmeros estragos, caso estejamos a conduzir ou noutra tarefa.

A falta de sono pode afetar o nosso humor. Investigações científicas referem que as perturbações do sono estão presentes antes de surgirem os sintomas da depressão. Nem todas as pessoas com perturbações do sono desenvolvem depressão, mas o risco pode ser cinco vez maior. Um aspeto curioso é que a depressão gerada na adolescência pode resultar da falta de sono na infância. Quando uma criança sofre privação de sono, têm dificuldades em manter o sono profundo. As crianças não ficam sonolentas como os adultos, pelo contrário, ficam mais hiperativas e é por isso que as crianças com privação de sono, são diagnosticadas erradamente como tendo TDAH (Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade).

O sonho utiliza as memórias que formamos no presente recente e fortalece-as e combina-as com outras memórias. Assim os sonhos servem para percebemos coisas que não percebemos quando estamos acordados, ou seja, sonhamos para consolidar memoria. Se reduzirmos o sono com sonhos, a função cerebral é afetada. Se não dormirmos e não sonharmos, o cérebro começa a faze-lo quando estamos acordados. Começamos a ter alucinações e todo o processo consciente fica alterado.

Muitas regiões do córtex cerebral comunicam entre si dando-nos flexibilidade cerebral. No entanto, durante a privação do sono crónico, muitas dessas regiões do cérebro adormecem involuntariamente. Com regiões do cérebro impossibilitadas de comunicar entre si, o pensamento inteligente é impossível.

Em relação ao nosso corpo, a privação do sono diminui a resistência do organismo às doenças. Pode inclusive afetar o apetite e causar obesidade, especialmente nas crianças. A falta do sono profundo pode contribuir para o aparecimento da diabetes porque a sensibilidade a insulina é mais baixa e as células beta do pâncreas não conseguem libertar insulina suficiente para compensar.

Quando estamos cronicamente privados do sono, começamos a libertar a hormona grelina, que estimula o nosso apetite, fazendo sentir fome. E a hormona leptina que costuma a sinalizar que já comemos o suficiente, torna-se menos abundante no nosso organismo.

Não existe substituto para o sono. O sono é terceiro pilar da saúde. O sono é tão importante como a alimentação e o exercício físico.